Crítica : Sombras da Noite (Dark Shadows)

Olá!

Vamos começar as publicações no Criticando Críticas de forma bombástica com o filme Sombras da Noite (Dark Shadows)!

O objetivo desse blog é fazer um compêndio de críticas espalhadas na internet e tentar dar um parecer que leve em conta opiniões diversas e divergentes, além da minha própria percepção sobre os assuntos que vou abordar.

Nessa primeira postagem falarei sobre a mais recente parceria entre o cineasta Tim Burton e o ator de mil faces Johnny Depp, o filme Sombras da Noite.

O filme é uma adaptação para os cinemas de uma série norte americana do final dos anos 1960, que tinha como foco a família Collins, que era disfuncional como quase todas as famílias representadas em diversas séries, e não obstante os problemas com que uma família normal tem que lidar a família Collins está decadente, com problemas financeiros, vai mal nos negócios e é surpreendida pela volta de um parente antigo e distante, Barnabas Collins, que todos achavam que tinha morrido, mas na verdade foi transformado em um vampiro, enterrado vivo, e volta a vida após quase dois séculos, e se perde no caótico e hippie anos 1970.

A trama do filme segue muito semelhante à da série, e talvez esse tenha sido o ponto em que o filme pecou. Não que a série seja ruim, mas tentar condensar anos de história e uma série de elementos que se desenvolveram durante a série inteira em menos de duas horas de filme não é tarefa fácil.

E foi mais difícil ainda para o roteirista, Seth Grahame-Smith, que é estreante nesse seguimento, tendo trabalhado anteriormente em séries de TV e como escritor (Lembra de “Orgulho e Preconceito e Zumbis“?), que são duas plataformas em que se tem muito mais tempo e possibilidade de se desenvolver uma trama complexa e amarrar as histórias para que nada fique no ar.

Voltando ao filme em si, temos um elenco de cair o queixo. Além de Depp, que já se provou em trabalhos anteriores como um bom ator, temos Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Eva Green e Chloë Grace Moretz que, caso você não saiba, é a atriz que interpretou personagens como a Hit-Girl de “Kick-Ass” e a vampira Abby no filme “Deixe-me Entrar”.

Mesmo com um elenco de ponta como esse, que se garante em todas as cenas, o roteiro não ajuda, e as personagens não crescem durante a trama.

Como eu disse as interpretações estão boas, mas principalmente as relações entre as personagens é mal resolvida, e isso me deixou triste porque elas tinham grande potencial e poderiam enriquecer muito a história. Como exemplo nós temos a relação do pequeno David Collins (Gulliver McGrath) com o pai (Jonny Lee Miller), que é um verdadeiro vigarista em busca de dinheiro e prazeres e não se importa com filho, essa relação é explorada em uma, no máximo duas, cenas do filme, e é resolvida de uma forma no mínimo frustrante. A relação entre o vampiro Barnabas e David, que ao contrário da relação deste com o pai é de profundo afeto e admiração, também não é explorada, e só é percebida por conta de algumas falas que explicitam isso, mas nunca mostram.


Há também uma série de dramas pessoais como o da Dra. Hoffman, interpretada por Helena Bonham Carter, uma psiquiatra com medo de envelhecer e perder a beleza, que poderiam ser trabalhados de forma a enriquecer as personagens e dar maior valor a elas, mas que passam batido e são mostradas apenas em pequenos trechos.

As únicas personagens que realmente apresentam certo desenvolvimento no filme são o vampiro Barnabas Collins e a bruxa Angelique, interpretada com maestria por Eva Green. Tanto os dramas individuais quanto a relação entre os dois é muito bem explorada e sustenta o filme por muitas cenas.

Essa falta de desenvolvimento das personagens acarreta em problemas no final do filme. O desfecho é caótico, com muita ação ocorrendo em um curtíssimo período de tempo, e com uma série de revelações que bombardeiam a tela uma após a outra para simplesmente serem jogadas novamente para um segundo plano. As personagens, em especial Carolyn Collins que é vivida por Chloë Grace Moretz, se transformam de repente [quem viu o filme entendeu] e ganham uma importância que não é construída durante a história, mas logo saem de cena, com a mesma rapidez com que entraram. O clímax da história é um show pirotécnico que se resolve de forma tão fugaz e irrelevante quanto as sub-tramas das personagens.

O romance entre Barnabas e Victoria, interpretada por Bella Heathcote, também fica o tempo todo em segundo plano e se torna algo essencial nos últimos minutos da história, e a relação entre Victoria e Josette, amor antigo de Barnabas vivido pela mesma atriz, e com o pequeno David Collins não são explicados.

Nesse sentido o roteiro deixou muito a desejar e transformou a experiência de assistir o filme em um verdadeiro balde de água fria para quem, como eu, é fã da dupla Burton e Depp.

Em compensação, o filme não desaponta na técnica. A fotografia e a arte são dignas de filmes clássicos do próprio Burton como “Edward Mãos de Tesoura” e as animações “A Noiva Cadáver” e “O Estranho Mundo de Jack”.

Com  locação perfeita para a trama, destacando-se a mansão dos Collins, onde se passa a maior parte da história e cenários sombrios em que despontam cores vibrantes como o laranja do cabelo da Helena Bonham Carter ou o batom vermelho da bruxa interpretada por Eva Green, podemos dizer que esteticamente o filme é digno de seu diretor, competindo de igual para igual com outros clássicos de sua criação.

Outro ponto alto são os diálogos, que trazem a marca registrada dos filmes de Burton ao unir o cômico ao soturno. A risada também é garantida por Johnny Depp que interpreta muito bem um vampiro que se livra de seu confinamento nos anos setenta e que não reconhece nada do que vê, destaque para o momento em que ele descobre o asfalto e sua reação ao ver o McDonald’s, além do diálogo hilário de Barnabas com um bando Hippies em volta de uma fogueira.

E para os fãs do bom e velho Rock’n’Roll destaco a participação bombástica de Alice Cooper, uma mulher horrível, segundo o vampiro Collins.

Essa participação musical e as músicas escolhidas para a trilha são realmente muito boas, porém devo confessar que fiquei frustrado com o uso da trilha do Danny Elfman. Ele ficou conhecido pelo seu trabalho junto com Tim Burton em filmes como “O Estranho mundo de Jack”, “A Noiva Cadáver”, “Edward Mãos de Tesoura”, “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “Peixe Grande” e muitos, muitos outros (ele até é o responsável pela abertura dos Simpsons!), e seu trabalho costuma figurar quase como um personagens nos filmes, porém passou batido nesse aqui. =[

Enfim, um bom filme com boas atuações, que peca pelo roteiro megalomaníaco que tenta unir diversas referências tanto da série original quanto do estilo “Burtoniano” de fazer filmes, o que faz com que duas horas seja pouco tempo para um desenvolvimento satisfatório da trama. Apesar disso o filme é uma boa recomendação se você quer se divertir e dar risadas com os trejeitos de um vampiro da era vitoriana que desembarca na loucura dos anos 1970.

Sombras da Noite (Dark Shadows)
EUA , 2012 – 113 minutos
Comédia

Direção:
Tim Burton

Roteiro:
John August, Seth Grahame-Smith

Elenco:
Johnny Depp, Eva Green, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Bella Heathcote, Chloë Grace Moretz, Gulliver McGrath, Jackie Earle Haley, Jonny Lee Miller, Christopher Lee, Alice Cooper.

Mais informações:

Omelete

Cinema com Rapadura

Site Oficial

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